sexta-feira, 20 de outubro de 2017

CULTURA FAMILIAR VERSUS CULTURAS DESVIANTES

Nesta sociedade marcada pela violência e por pseudovalores, os pais precisam disputar os filhos com grupos de “culturas desviantes ou culturas marginais”, que se apresentam oferecendo “trabalho rentável, consumo e curtição” como fuga para as  ansiedade da vida.  

Recentemente, o delegado Miguel Lucena publicou obra sobre uma categoria de pessoas com comportamentos absolutamente desviantes, a que ele denominou de desembestados, que são pessoas que perderam os freios morais: não têm medo do poder divino e não respeitam a lei; não sentem vergonha, menos ainda culpa. Estudiosos da Pedagogia Social, como Caliman(2009), corroboram a compreensão sobre a existência de “culturas desviantes ou marginais” que colaboram para a formação de atitudes com base nas quais se justificam determinados comportamentos irracionais ou desviantes.  

Cultura do poder e da força: “Felicidade é ser forte e poderoso”; cultura da onipotência pessoal: “Cada um por si e Deus por nós todos”; cultura do negativismo: “A vida não tem sentido”; cultura do desempenho ou da indiferença pelos problemas políticos e sociais: “Não estou nem aí...”; cultura do infantilismo e da busca de emotividade como matriz de novas experiências à revelia da racionalidade: “Eu quero é adrenalina, não dá nada”; cultura da fuga e da evasão para esquecer e diminuir a ansiedade: “Feliz é quem sabe curtir e gozar a vida”; cultura da aparência: “O   belo é aquele que aparece, que fascina, que faz notícia”; cultura da esperteza, do silêncio, da cumplicidade que reforça as atitudes  servilistas e de esperteza nas relações: “Gosto de levar  vantagem em tudo”.

Os pais não vêm dando conta da educação para os valores humanos - quando os têm -, e, para não conflitar, delegam cada vez mais a outras instituições a educação dos seus filhos.


Texto: Maria José Rocha é mestre e doutoranda em Educação. Ex-deputada pela Bahia, preside a Casa da Educação Anísio Teixeira em Brasília. Publicado em: http://www.diariodopoder.com.br/artigo.php?i=59521566098

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