sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DE TUTÓIA: Existe uma capelinha silenciosa na estrada entre Barro Duro e a comunidade de Jardim. Em toda a sua modéstia ela guarda um capítulo importante da história de Tutoia que envolve a memória da jovem Maria Zuleide. Por Helena Maria


Maria Zuleide Fernandes Rodrigues, nasceu no povoado Cajazeiras, numa família de 9 irmãos. Sonhadora e corajosa, Zuleide decidiu passar uma temporada em São Luis. Seu retorno foi cercado de mistérios, pois segundo a família, Zuleide recebeu uma carta mentirosa, e de um remetente desconhecido, que dizia que sua mãe estava muito doente. Mas, essa viagem já cercada de mistérios terá um fim trágico. 
 
O ano era 1961 e a instabilidade no cenário político do ano anterior ainda ecoavam no município. Nesse contexto, um dos políticos ofereceu 3 (três) jipes para conduzir uma turma de jovens de Jardim para Barro Duro. Zuleide, interessada em aproveitar para tomar banho de rio, estava em um dos carros ao lado do motorista. Na estrada os jipes foram atacados por homens armados. Em meio aos tiros, os passageiros saíram em disparada pela mata aos gritos. Maria Zuleide não teve essa sorte. A jovem foi atingida com um tiro na testa e seu corpo só pode ser resgatado pela família e por moradores do Jardim horas depois do ocorrido. 
 
Aquele 22 de janeiro ficou marcado na memória: Um forte temporal e uma comoção muito grande são lembrados pelos mais velhos. A capelinha que resiste até hoje, e que recebe todos os anos um grande numero de pessoas, foi construída depois que a irmã de Zuleide sonhou com ela pedindo para que a família construísse. Assim foi feito. De cavalo, a pé ou de jipe, pelo meio da mata, homens e mulheres chegavam à capela e tornaram a missa de Maria Zuleide uma tradição. Sua juventude, as circunstância de sua morte e as inúmeras historias sobre seu assassinato (teria sido intencional? Teria morrido no lugar de um político?) começaram a despertar nas pessoas curiosidade, solidariedade e identificação. 
 
Aos poucos os pedidos de ajuda e os relatos de bênçãos alcançadas por intercessão de Maria Zuleide se espalharam. São centenas de velas acessas, inúmeros ex votos, cartas e depoimentos de agradecimento. Os irmãos de Maria Zuleide se reúnem todos os anos no dia 22 de janeiro, na capela. Para eles, esse dia, desde aquele janeiro de 1961, passou a ser um dia de confraternização e amor!
 

 Capelinha de Maria Zuleide
 
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Helena Maria
 

Graduada em historia pela Universidade Estadual do Ceará. Funcionária da Rede Pública de Ensino do município de Paulino Neves. Trabalhou no Memorial da Cultura Cearense e tem cursos na área de patrimônio e história. Em parceira com Instituto Educacional Maria Madalena -IEMMA, escola da Rede Privada, desenvolveu e apresentou trabalho sobre os monumentos mais antigos de Tutóia.

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